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Infraestrutura e Logística

 

O Brasil destaca-se como o maior produtor e consumidor de feijão, sendo responsável por cerca de 16 % da sua produção mundial. Este grão figura ainda entre as cinco maiores culturas do País, perdendo apenas para soja, milho, trigo e arroz. 

Diferentemente de outras culturas, o feijão, em sua quase totalidade, é consumido internamente, não representando uma commodity de exportação significativa. 

Além disso, a cadeia produtiva do feijão apresenta importantes características: uma estrutura produtiva composta por lavouras com menos de 10 ha, que equivale a cerca de 75 % do total da área cultivada do País; a baixa produtividade das lavoura, que é de aproximadamente 1000 kg por hectare; e o fato de esse grão não poder ser armazenado por mais de dois meses, sem perder valor comercial.
Considerando as características da cadeia produtiva do feijão, comentar sobre o processo de logística deste produto é extremamente difícil, em razão de suas peculiaridades. Apesar disso, a seguir são apresentados alguns aspectos de sua logística. 

A comercialização do feijão se dá, para os consumidores finais, predominantemente nos supermercados, na forma de empacotada. Contudo, para chegar às prateleiras, o grão passa por uma série de destinos, a saber: após deixar a propriedade onde foi produzido, o feijão é entregue a um intermediário, que, por sua vez, o revende para um atacadista, que o empacota e o vende para o supermercado. 

A cadeia deste produto e sua logística são fortemente afetadas também pelo gosto do consumidor, que, regionalmente, tem preferências claras por determinado tipo de feijão e também pelas diversas safras do produto, em que cada uma se concentra em uma região. A primeira safra ocorre no Sul do País, a segunda no Nordeste e a terceira no Sudeste, especialmente em Minas Gerais. Tais aspectos causam intensa movimentação do produto no País, a qual ocorre, quase na sua totalidade, por via rodoviária, o que resulta em altos custos de transporte. 

A forma de colheita também é um fator relevante nesta cultura, pois ainda é pouco utilizada a colheita mecanizada, sendo empregada em larga escala a colheita manual, pouco tecnificada e basicamente de estrutura familiar. 

A disponibilidade e o avanço genético dos cultivares também são fatores restritivos na cadeia do produto, uma vez que só recentemente as variedades cultivadas passaram a ser adquiridas em instituições de melhoramento genético, como universidades e Embrapa. 

Problemas de armazenamento também fazem parte da cadeia produtiva do feijão. O grão exige grande controle em seu período de armazenamento, que é extremamente curto (dois meses) se comparado com o de outros grãos. Faltam, também, locais apropriados para a sua estocagem, uma vez que quase sempre ela é feita em silos e armazéns destinados a outras culturas. Por fim, o produto demanda cuidados especiais, pois deve receber tratamento à base de deltamethrine, para evitar a ação de insetos que geram tantas perdas ao feijão. 

Diante do exposto, pode-se perceber melhor a delicada estrutura logística do feijão, que apresenta tantas peculiaridades, tornando extremamente complexo o seu estudo. Portanto, é necessário um levantamento local dos componentes de logística, bem como analisar a sua forma de comercialização, que não se compara a nenhuma outra commodity.


Fontes:
Kelliane da C. Fuscaldi – Assessora técnica do gabinete do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA.
Gustavo Rodrigues Prado – Analista de mercados da Organização das Cooperativas do Brasil – OCB.

 
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